A arte de conviver

By | 20/03/2013
85 A arte de conviver

 

Somos seres fundamentalmente sociais e, embora nossa sociedade, capitalista e individualista, pregue a autossuficiência, a independência e a total responsabilidade pelos nossos sucessos e fracassos, creio que só podemos nos desenvolver na relação com o outro. É claro que os caminhos que iremos percorrer e onde queremos chegar através deles é uma decisão que cabe a cada um. Relacionar-se traz a possibilidade de conhecer não apenas o outro, e sim, principalmente, a nós mesmos. Descobrimos do que gostamos ou não, o que queremos para nós, nossos valores, nossos princípios, quando estes vão de encontro aos gostos e desejos do outro. As pessoas que estão ao nosso lado, aquelas que admiramos e mesmo as que detestamos, são os parâmetros para sabermos quem somos nós, são o nosso espelho.  

A arte de conviver e1363796544598 A arte de conviverO desafio aí é perceber que a diferença, que sempre vai existir, pode não apenas ser causadora de desentendimentos, mas agregar valor e possibilitar visões diferentes de mundo. Ampliar nossos horizontes significa enxergar mais longe e talvez possa significar enxergar através de mais olhos. O olhar do outro sobre o mundo e sobre mim terá sempre uma nova perspectiva e cabe a nós percebermos que perspectivas diferentes não precisam disputar o lugar da verdade, mas sim somar-se em algo maior e mais completo.

Conviver quer dizer viver-com o outro, não apesar do outro. E com o outro real, diferente de mim. Diferente, não melhor nem pior. O outro diferente é aquele que vai pensar, sentir e agir a seu próprio modo e não da maneira como eu espero e quero que seja. Só nos decepcionamos em nossos relacionamentos justamente quando criamos uma expectativa relacionada com nosso próprio desejo, e então podemos começar a suspeitar de que não estamos querendo nos relacionar com a pessoa real, viva, única e, principalmente, imprevisível que está ali ao nosso lado. Enquanto nos digladiarmos com as diferenças não aprenderemos com elas e a convivência se tornará um fardo a ser carregado, um “a-pesar”.

Talvez essa nossa vontade de controlar as coisas (e as pessoas) seja uma tentativa de fazer com que a vida seja mais previsível, e assim tentar aplacar a angústia em relação ao novo, ao desconhecido que está reservado para o nosso futuro. É compreensível… mas será que vale a pena?

Lidar com o inesperado exige que sejamos fortes, abertos e flexíveis ao mesmo tempo. Não é tarefa fácil, mas o caminho se torna sempre mais agradável se estivermos bem acompanhados…

 

Se você gostou desse artigo, e tem algo a compartilhar sobre sua experiência de convivência, comente e será um prazer conhecer a sua opinião, crescer através da sua visão e do seu conhecimento. Muito obrigada

Corine Esquivel Prandi

Share and Enjoy

Category: Artigos Tags:, , , , , , , , ,

About Sergio Prandi

Sou uma pessoa simples, caseiro, casado com 5 filhos, (agora 10 porque minhas noras e genros moram no meu coração igualmente) 59 anos de idade muito bem vividos. Nasci filho de comerciante e desde muito novo lido com o público e comércio, Formado em Biologia morei 13 anos em um sítio próprio, onde tive a grande oportunidade de conhecer um mundo totalmente novo. De volta a cidade, trabalhei mais uma vez com vendas, agora voltado a telefonia móvel, Nextel e Claro e finalmente nos últimos dois anos como Corretor de Imóveis. Desde fevereiro de 2012 abracei a oportunidade de trabalhar exclusivamente pela internet, e a cada dia sou mais apaixonado por esse ramo. Você pode entrar em contato comigo das seguintes formar email - sergio@lucrardecasa.com /- Skype - sprandi50 /-

10 thoughts on “A arte de conviver

  1. Ricardo Borges

    Olá Corine,

    Tudo bem?

    Relações…Qual seria o limite exato da troca? Quando sabermos o que na verdade foi dado/recebido, sem uma “manipulação” inconsciente do nosso consciente ego?
    Acredito no respeito como um dos principais pilares de uma relação saudavel, seja relacionado à idéias, valores, comportamento, ética, liberdade e ao desejo de desenvolvimento do lado oposto em qualquer área da vida (lado oposto = ele/ela, ela/ele).
    Partilho da idéia de que também sofremos mudanças positivas (rs, otimista novamente) em nossa frenética época, vindo a tona, depois de alguns séculos de “castrações orientadas para o modelo correto”, graças às re-conquistas do espaço das mulheres nas últimas décadas.
    Este novo espaço e nova posição, gera inevitavelmente inseguranças bilaterais, seja pela falsa sensação de controle do homem que até pouco tempo mandava, ou pela mulher, que não tinha experiência na participação direta nos pensamentos e decisões das relações.
    Para finalizar, somos crianças como homens e mulheres (mas estamos acelerados – otimismo-rs), estamos evoluindo neste “recriar relacionamentos”, acredito, tendo como questão inegociável, o voar de cada um, tendo como premissa básica a harmonia.
    Não sou um grande leitor de livros mas me remeti a um: “Assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia” Kalil Gibran – Sobre o casamento.
    Parabéns novamente e sucesso.

    Um abraço.

    Ricardo

    Reply
    1. Corine

      Olá Ricardo, bom vê-lo por aqui novamente!

      Me diga uma coisa, você tem alguma familiaridade com a psicanálise? Pois notei que utilizou alguns conceitos (apenas curiosidade).

      E sobre seu comentário, concordo que estamos em constante e frenética mudança e, talvez um pessimismo surja pelo medo do novo e das necessárias e nem sempre fáceis adaptações às mudanças. E as formas de relacionamento também se enquadram aí.

      De maneira geral, minha opinião é de que, em qualquer que seja a relação, mais do que apontar o defeito, o dever ou a culpa do outro, devemos olhar para nós mesmos e nos perguntar o porque de certas coisas nos incomodarem tanto, o que pode ser relevado no relacionamento e o que não pode, o que nós podemos fazer para mudar EM NÓS alguma coisa que não está boa, e por fim, considerar que o outro faz o que pode fazer e escolhemos, de alguma forma, nos relacionar com aquela pessoa.

      Obrigada novamente pela participação.

      Abraços,

      Corine.

      Reply
      1. Ricardo Borges

        Oi Corine,

        Gosto da psicologia, li uma coisa ou outra de Freud e mais alguns, pouca coisa. Diz uma amiga psicóloga que sou um, apenas não tenho CRP….rs. No fundo, acredito q todos somos de certa forma, nada mais.
        Em síntese da sua colocação, digo que concordo e acrescentaria apenas que o “apontar o dedo”, se visto de uma forma positiva, é extremamente benéfico quando é para sinalizar algo ao outro, cabendo depois a auto análise de se concorda ou não.
        Sou apaixonado pelo auto desenvolvimento, escuto muito inclusive de pessoas próximas que me cobro demais e neste momento da vida, está ficando cada vez mais nítido e sinto e já trabalho neste lado meu, que não me faz bem. Estou aprendendo isso.

        Um abraço.

        Reply
  2. Rafael Morgado

    Adorei o texto! Realmente, conviver é uma arte. Estar frente ao imprevisível é revelador e angustiante, é estar lançado no desconhecido, é aceitar todas as possibilidades de ser e simplesmente deixar vir a ser, sem formas ou receitas prontas.

    Reply
    1. Corine

      Sintético e completo! É isso aí!

      Obrigada pela participação.

      Beijos

      Reply
  3. Juliano Abrahão

    Falou e disse caro amigo,

    Tentar controlar tudo para que tudo seja previsível, controlável, equilibrado e por fim… chato pra caramba.
    Natural de todos nós, mas sempre podemos melhorar.
    Melhorar para conviver melhor, melhorar para viver mais, com mais qualidade e mais intensidade.

    E quem disse que temos mesmo que controlar tudo, se não podemos controlar sequer nossas palavras muitas das vezes?
    O jeito é viver tudo com muita intensidade e tirar da vida o melhor proveito, a principal lição que é amar e respeitar a todos á nossa volta.

    Meus parabéns por abordar assuntos que vem do coração também. Isso mostra o que somos e como somos.
    São pouquíssimos que tem essa coragem!
    Paz, Saúde e Sucesso.
    Até breve.
    Juliano Abrahão postado recentemente..Homenagem Á Minha FamíliaMy Profile

    Reply
    1. Corine

      Olá Juliano, como vai?

      Só esclarecendo, o Sergio (meu pai) abriu um espacinho no blog dele pra mim, e este é um dos meus artigos, que ele sem querer postou com seu login.

      Dessa forma vou responder seu comentário, mesmo que ele não tenha sido originalmente dirigido a minha pessoa =]

      Pois é, Juliano, somos seres controladores também! E na verdade, temos que nos dar conta de que o controle é pura ilusão, aprender a aceitar as coisas (e as pessoas) como elas são faz muito bem a saúde! Pode parecer conformismo. Não é. É poder aceitar a realidade e lidar com ela da melhor forma!

      Agradeço pela sua participação e espero que volte e leia também meus textos anteriores e os que ainda irei escrever.

      Um abraço.

      Reply
  4. Corine

    Olá Luiz, tudo bem?

    Fico muito feliz que tenha gostado do artigo. Claro que falei sobre relações em um sentido bem genérico, daria pra fazer um artigo para cada tipo de relacionamento que vivemos, como você citou e, principalmente, um enorme sobre o relacionamento conjugal, que sem dúvida, por ser o mais íntimo, é também o mais complexo, e porque não dizer, o mais complicado! Mas a especificidade da relação de um casal, está justamente na questão de que os principais problemas se referem ao que o casal é junto, ou seja, problemas que dizem respeito àquela dinâmica específica, à questões que talvez não fossem se tornar problemas se vivido por cada um separadamente.

    Na minha opinião, por mais que a tendência em nós seja sempre enxergar uma vítima e um algoz, na relação do casal, o que um faz com o outro é porque esse outro permite e, em geral, acaba tendo algum “ganho secundário” com sua vitimização… Sei que não é tão simples assim, e novamente estou falando de forma generalizada, pois é o que um artigo permite, se não vira estudo de caso… Posso pensar em escrever algo mais específico futuramente e espero que voltemos a conversar.

    Obrigada pela participação.

    Abraços.

    Reply
  5. Luiz Carlos Rodrigues

    Olá Sergio tudo bom?

    A pessoa que escreveu sobre o tema A ARTE DE CONVIVER a Corine é sem dúvida alguma para mim ,apesar de ser a primeira vez que leio algo escrito por ela, uma pessoa com quem certamente tive imediata empatia, me identifiquei muito com seu artigo. Creio que vale lembrar quando o assunto é convivencia há algumas ramificações ex. a coabitação familiar é uma coisa, temos também a convivencia com os colegas de escola, com os colegas de trabalho, os do clube, os das congregações, os vizinhos, os parentes, permita-me uma brincadeira, parente são os dentes e mesmo assim as vezes mordem a gente rs rs , voltando deixe-me ater a vida conjugal homem e mulher , se a pessoa não vive de forma conjugal não tem como ter noção por experiencia pessoal, só por observação no caso o filho atento que observa pai e mãe. Pela minha experiencia de vida considero muitissimo dificil a relação conjugal sempre um tem que ceder mais que o outro e isso cheira a alienação o que é terrivel despersonalização, e descumprimento do objetivo maior de vida do boboca sedente. Digo isso por experiencia propria… Forte Abraço…

    Reply
    1. Sergio Prandi Post author

      Olá Luiz, tudo bem com você?

      Na verdade esse texto da corine, saiu meu nome la em cima apenas porque ela me mandou por e-mail e eu publiquei, ainda falta um pouco de prática e acabei entrando com minha senha para publicar, mas todo ele é só dela mesmo.

      Mas como é minha filha, e tenho outros 4 ainda rss sei que os relacionamentos são mesmo um tanto quanto complicados, e acredite que a realidade de cada um deles, está muito mais profundo do que nos mostram as aparências, mesmo que você esteja entendendo o que está vivendo pela forma da aparência, o que é muito normal até de acontecer.

      A grande importância, e porque mesmo não dizer a grande lição dos relacionamentos, é o “efeito espelho” porque a verdade é que quando se aceita que o que irrita nos outros é nosso próprio defeito refletido, muitas vezes escondido em nós por nós mesmo, e nem sempre praticado da mesma forma e nem exposto, mas sim um comportamento interno digamos. Assim muitas vezes o “mais forte” só é mais forte porque é o que tem mais medo, e por isso mesmo uma necessidade imensa de dominar, de se impor e dessa forma manter a falsa impressão de que está seguro.

      Bom amigo, o tema dos artigos da Corine, são voltados a psicologia e eu vou deixar por conta dela se desejar entrar mais nessas “águas mais profundas” sobre o tema aqui, sou só um curioso no assunto e com um pouco de experiência de vida também. Mas o artigo é dela e o conhecimento profissional também.

      Um abraço e Sucesso Sempre

      Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

CommentLuv badge